

Prezados Pais e Responsável,
Hoje em dia estamos sujeitos a tudo e a todos, mas com o nosso aprendizado e vivência sabemos o que é certo ou errado.
Nos dias de hoje os pais estão ficando sem saber o que fazer para que seus filhos consigam conviver em um ambiente ético passando para os mesmos princípios e ensinamentos básicos.
Algumas vezes nos sentimos culpados em dizer não, colocar limites, oportunizar frustrações. Muitas são as questões que nos afligem, mas também sabemos que existem reflexões que aliviam tal sentimento.
Para isso sugerimos a leitura do texto de Tania Zagury que fala um pouco sobre educar sem culpa.
Boa leitura!
EDUCAR SEM CULPA
FAMÍLIA, DISCIPLINA E ÉTICA
Em meu livro "Educar sem Culpa" discuto o papel da família como geradora da ética, enfatizando que a ela caberá, mais e mais, a cada dia que passa, a grande, a enorme responsabilidade de arcar com esta árdua, porém essencial tarefa social. Constato porém, perplexa, que esta meta se torna mais e mais difícil de ser alcançada. E por quê? Porque diariamente em cada família, em cada casa, mais e mais pessoas questionam a validade de lutar por certos objetivos que, há bem pouco tempo, jamais eram questionados. A que objetivos me refiro? Exatamente àqueles que, no seu conjunto, irão constituir a gênese da ética, a base moral dos nossos filhos.
Na maioria das vezes, os pais agem movidos pelo mais legítimo e verdadeiro desejo de acertar, de dar aos filhos o que de melhor eles têm. Nem sempre porém o conseguem. Tomemos por exemplo, a situação vivida atualmente pelos brasileiros.
Como se sentem os pais vendo tudo a sua volta desmoronar? Se grande parte de nossos dirigentes mostra-se cada vez mais corrompida e corruptível, se o valor maior que parece imperar é apenas o de acumular mais e mais bens materiais, se o respeito pelo outro parece a cada instante diminuir, se a impunidade campeia, se o justo paga pelo pecador, se a lei parece proteger os que a violam, se a honestidade é premiada com o desprezo e a desconfiança, pensam os pais, como transmitir os velhos valores aos filhos? E para quê, se perguntam. Quantas vezes por dia vemos a falta de civilidade e de respeito ocorrer?
Nos condomínios chiques os próprios moradores insistem em não observar as mínimas regras de convivência. Se o porteiro interfona para checar sobre a entrada de um visitante no prédio - norma estabelecida para todos - sempre existem alguns que sentem-se extremamente "ofendidos" e, por vezes, até destratam aqueles que, num outro momento, seriam severamente repreendidos se não fizessem o que estabeleceu-se como regra.
Nas ciclovias, o lazer - andar de bicicleta - virou conflito com os pedestres que têm que prestar muita atenção para não serem atropelados. São homens, mulheres e crianças que preferem arriscar a vida de um semelhante a diminuir a velocidade, para não perder um segundozinho de prazer pessoal. Nas praias, os jogos de bola (vôlei, frescobol, futebol), tão saudáveis, transformaram-se ocupando mais e mais espaço dos banhistas e ameaçando-lhes a segurança física. No trânsito - nem é bom falar - vivemos um permanente bangue-bangue: tiros são disparados contra pessoas, por simples desentendimentos ou "fechadas".
Na escola, os alunos esforçados, estudiosos e atentos são ridicularizados pelos demais que lhes colocam apelidos pejorativos como cê-dê-efe e outros. No trabalho, diferentes formas de bajulação substituem a produtividade e a seriedade como instrumento certo para promoções. Intrigas e "fofocas" são toleradas e até incentivadas como meio de "comunicação" enquanto os que agem lealmente são alijados do processo ou colocados em segundo plano.
Frente a tudo isso, os pais, repentinamente, sentem-se receosos e inseguros. Os próprios filhos são os primeiros a questionar: "só você é que faz assim!"; "os pais da fulana deixam..."; "ah, todo mundo faz!"; "você é quadrado "; "você já era..."; "por que eu não posso, se todo mundo vai?" Junte-se a isso tudo a influência extremamente forte dos meios de comunicação de massa incentivando o consumismo e a adoção de valores materiais e imediatistas e poderemos, sem dificuldade alguma, compreender a situação em que se encontram os pais.
Preocupados em garantir um futuro para os filhos, defrontam-se com um contexto que os leva a questionar valores até então incorporados e transmitidos geração após geração, quase que automaticamente. "Será que meu filho não vai ser ‘o bobão’ do grupo?" "Será que lhe estou dando o instrumental correto para viver nesse tipo de sociedade? "Isso não é “tática” paterna, é incentivo real.
Diante dessa grande angústia, sabemos que a educação ainda é o pilar que sustenta um ser humano ético, consciente e equilibrado.
Educar sem culpa deve ser o nosso papel, contemplando os anseios e características dos nossos filhos, mas oportunizando limites e valores.
*Tania Zagury é carioca, casada e mãe de dois filhos. Doutora em Educação, Autora de vários livros que configuram a lista dos mais vendidos do Brasil. É professora da UFRJ e articulista em educação.